quinta-feira, 18 de junho de 2009

Amor incondicional


Pois é, minha gente, essa porquinha chorando sou eu!
Essa foto MEGAAA ENGRAÇADA saiu em 1999 NA CAPA da Folha no dia seguinte da nossa derrota para o Manchester: não basta sofrer, tem ser imortalizada com essas orelhas RIDÍCULAAAAAAS e fazer os amigos rirem no momento de dor. (Essa foto é muito minha cara: colocando humor na tristeza e rindo de mim mesma mesmo nas horas mais difíceis, hahahaha).
O pior de tudo é que a foto é atemporal, continua valendo na minha vida: ontem fiz uma cena quase idêntica aqui em casa, mas menos contida, quando meu Palmeiras foi- mais uma vez- eliminado da Libertadores.
O que mais me chateia é que eu não aprendo. Eu, racional e inteligente, uma pessoa que afasta TUDO E TODOS que fazem sofrer de sua vida simplesmente não consigo deixar de amar e sofrer pelo Verdão.
Eu, que tomo as rédeas de tudo na minha vida, me deixo ficar passivamente em uma relação de amor desmedido e nem sempre merecido ou justificado. Me sinto uma estúpida, porque por mais que eu sofra e fique indignada o amor não passa e não enfraquece. EU NÃO APRENDO.
Não sou ignorante, não discuto ou provoco torcedores rivais, tenho total consciência de quando meu time merece perder ou não faz sua parte e não tenho problema nenhum em admitir quando um time é melhor que o meu, apenas não consigo deixar de sofer. Já tentei ficar sem ver jogos, sem me envolver e tudo mais, mas quando chega uma hora decisiva, basta um jogo pra voltar tudo.
Se o Palmeiras fosse uma pessoa, ele já estaria MUITO FORA da minha vida, pelo tanto que me faz sofrer, me faz mal, me faz sentir estranha e irracional.
Mas o Palmeiras não é uma pessoa. O Palmeiras SOU EU. Eu pequeninha ouvindo jogo no rádio com um monte de coisinha verde do lado para dar sorte. Eu, nada feminina, indo pra escola com a camisa do meu time e discutindo futebol com os meninos de igual pra igual. Eu, que demorei 16 anos pra ver meu time campeão pela primeira vez. Eu, que fiquei 10 horas sozinha na fila para ver meu Palmeiras ser campeão da Libertadores em 1999. Eu, que mesmo nunca tendo tido vínculo com torcida nenhuma e desprezando o que alguns animais fazem em nome do fanatismo, fui até a quadra da Mancha assistir a final do Mundial só pra não ver o jogo em casa e tive a cara chorona colocada num jornal. Eu, que vi meu time sair da fila ajoelhada em cima do rival. Eu, que comemorei muitos títulos. Eu, que já vi muitos craques com a camisa do Palmeiras. Eu, que já troquei muitos programas para ver um jogo do meu time. Eu, que ganho o dia quando o Palmeiras faz algumq coisa grandiosa- e já foram muitas. Eu, que já me diverti muito no Parque Antártica com aquela torcida engraçada e espirituosa. Eu, que sinto um orgulho do São Marcos e do amor da torcida palmeirense que nem cabe em mim.
Pois é, apresento para vocês o único amor doentio que tenho. O amor mais irracional, o que me faz sentir até vergonha de tudo isso que estou admitindo aqui, que me fez cometer as maiores loucuras.
Palmeiras, é com muito pesar que eu te digo: pode aprontar o que quiser comigo, amando ou odiando, eu sempre estarei aqui.